POR QUE NÃO LEMOS MAIS? - MARIANE EGGERT DE FIGUEIREDO - JARAGUÁ DO SUL/SC

Por que não lemos mais?

A leitura, que já teve seus dias de glória, não anda lá bem cotada entre o público brasileiro. Há grandes chances de que também não seja o seu passatempo predileto, não é? Resultados de uma pesquisa recente revelam índices assustadores para nosso amigo livro: 70% dos entrevistados não haviam lido sequer um livro no ano passado. Imediatamente paira uma questão: por que não lemos mais?

Primeira observação: não são apenas os jovens. Dispomos de uma parafernália digital que parece mesmo saída dos contos de Xerazade – quem leu, sabe. O gênio da lâmpada, enquanto parece facilitar a vida resolvendo problemas, na verdade está tirando uma das mais fantásticas ferramentas que a natureza, em um longo processo, moldou: a capacidade de imaginar. E qualquer um sabe o quão poderosa é a imaginação. Muito mais que a imagem. Instigá-la vai lhe dar poder de ação. Pense nisso a cada vez que puder escolher entre assistir a um filme, por exemplo, e ler a obra. Aceitar o “tudo pronto” da imagem feita da Internet, ou ser o “maestro”, o “capitão do navio”. A leitura fará refletir, criar, ser coautor de uma obra e vivê-la. É dessa maneira que a criança desbrava florestas, brinca entre troncos, espreitando lobos e barulhos; conhece invernos rigorosos e primaveras geladas ouvindo o apito de um trem familiar trazendo pra casa alguém amado que traz maçãs; vive o burburinho de cidades europeias e seu ranger de bondes, o ruflar dos milhares de pombos; aprende pequena a entrar em casa e tirar pesados calçados de neve ou casacões. Eu, por livros, saboreei aspargos e brócolis, sushis e mussakas. Por jornais imaginei o dia a dia de um mundo no outro lado do Oceano Atlântico. A leitura foi minha janela entre a imaginação infantil e as infinitas possibilidades de concretização posterior. Entre uma e outra, não houve apenas um lapso de tempo mas um processo. Que processo?

Você já parou para pensar no que acontece quando não lê mais? Ler por deleite e curiosidade, um ler desbravador durante um trajeto, carro, ônibus, avião, a espreguiçada na praia ou na piscina, o desenferrujar de neurônios. Este ler, confesse, vamos perdendo e, com ele, habilidades que só a leitura proporciona: agilidade de raciocínio, rapidez de percepção, enriquecimento vocabular, ortografia, sobretudo atenção e foco. Ao termos de nos concentrar, já não conseguimos. Nossa Língua se perde. Isso lhe soa familiar? Você anda desconcentrado? As crianças, hiperativas? Diga aí: quantos livros você leu no ano passado? Provavelmente sua família só precisa ler um livro. Bem grosso! E se você notar que já não consegue mais ler, tenha calma. Insista. Leitura é como bicicleta: a gente nunca esquece. Em doses pequenas e regulares, aos poucos, tudo volta. E a saúde agradece! Por que, simplesmente, não lemos um pouco mais?